Seu nome apareceu
onde eu já não esperava.
Por alguns segundos
o tempo errou de direção.
Eu li.
Fechei.
Li outra vez.
Como se alguma palavra
pudesse mudar o final.
Disseram que havia um jogo.
Interesse.
Segundas intenções.
Eu nunca entendi.
O que havia em mim
que alguém pudesse querer?
O que eu tinha nas mãos
além de mim mesmo?
Hoje eu vejo melhor.
Mas entender tarde
não devolve nada.
Eu posso refazer
cada conversa na cabeça.
Trocar as palavras.
Mudar o silêncio.
Mas nenhuma versão
abre aquela porta outra vez.
Não quero você de volta.
Eu quero voltar
e fazer direito.
Dizer o que eu não disse.
Ouvir antes de ferir.
Não quero você de volta.
Eu quero uma chance
que o tempo não sabe dar.
E essa é a parte
que eu ainda não aprendi a aceitar.
Tem coisas que eram nossas.
Tem coisas que colocaram em nós.
Gente grande demais
para agir tão pequeno.
Mãos que deveriam apontar o caminho
apertaram nossas feridas.
E nós fizemos o resto.
Erramos.
Repetimos.
Ferimos exatamente
onde sabíamos que doía.
Não adianta escolher culpados.
Não agora.
Não depois de tanto tempo.
Eu só queria conseguir lembrar
sem tentar entrar de novo.
De novo...
De novo...
De novo...
Não quero você de volta.
Eu quero voltar
e fazer direito.
Dizer o que eu não disse.
Ouvir antes de ferir.
Não quero você de volta.
Eu quero uma chance
que o tempo não sabe dar.
Eu entendi o passado.
Meu corpo ainda não.
Que você consiga me perdoar.
Que eu consiga perdoar você.
Não para tentarmos outra vez.
Não para fingir
que ainda existe um caminho.
Só para que nenhum de nós
precise carregar isso
até o fim.
Seguimos.
Temos que seguir.
Mesmo com alguma coisa aqui
que nunca terminou.
Mesmo com o amor
que não acabou.
MAS AMOR
NÃO CONSERTA TUDO.
AMOR
NÃO APAGA O QUE ACONTECEU.
ENTÃO POR QUE EU AINDA VOLTO?!
POR QUE EU AINDA ABRO ESSA PORTA?!
SE NÃO TEM NINGUÉM DO OUTRO LADO!
NÃO TEM VOLTA!
NÃO TEM!
NÃO TEM OUTRA VEZ!
NÃO TEM!
EU SEI!
EU SEI!
EU SEI!
ENTÃO POR QUE
NÃO PARECE O FIM?!
EU QUERIA TER VISTO!
ANTES.
EU QUERIA TER OUVIDO!
ANTES.
EU QUERIA TER CRESCIDO!
ANTES DE PERDER.
Alguns dias
eu não sinto nada.
Em outros
uma música basta.
Uma rua.
Um horário.
Uma frase qualquer.
E tudo volta
com a precisão de uma lâmina.
Não é saudade.
Não só.
É a vontade absurda
de entrar naquele momento
sabendo tudo o que sei agora.
Mas eu não posso.
Eu não posso ensinar
quem eu era
a ser quem eu sou.
Não posso voltar
para salvar duas pessoas
que ainda não sabiam
como não se destruir.
Então fica aqui.
A verdade.
Sem enfeite.
Sem outra versão.
Eu amei você.
Talvez uma parte de mim
ainda ame.
MAS ISSO NÃO É
UM CAMINHO DE VOLTA!
NÃO VOU TRANSFORMAR
MEMÓRIA EM DESTINO.
NÃO!
NÃO VOU MORRER
TENTANDO CORRIGIR
QUEM EU FUI.
EU NÃO POSSO VOLTAR!
MAS POSSO
NÃO REPETIR.
Não quero você de volta.
Eu queria voltar
e fazer direito.
Mas talvez crescer
seja finalmente entender:
algumas coisas
não precisam recomeçar
para terem sido reais.
Que você siga.
Que eu siga também.
Sem apagar.
Sem repetir.
Sem transformar amor
em mais uma ferida.
SEGUE!
O amor não acabou.
Mas aquilo...
acabou.
E entender tarde
não muda o passado.
Só muda
o que eu faço agora.